Vimos, um pouco por acaso, na TV, quando espreitava a informação meteorológica, uma pequena reportagem sobre idosos expressando - através de um Organização ad hoc - a sua vivência de uma forma que pretendia ser artística, dançando como podiam, vestidos da mesma maneira, ao som de uma música suave. Queriam dessa forma ser um estímulo para outros.
Tem valor certamente. E isso ajuda aqueles que recusam ficar resignadamente confinados a uma cadeira/sofá, esperando o fim, enquanto vão vendo televisão, comem, dormem, e pouco mais.
Sobretudo se não têm, se nunca tiveram, outro alvo na vida que elevasse o seu espírito, lhes desse motivações para enfrentar a Eternidade. E Deus.
Mas ficamos a pensar : não será muito bonito quando os idosos se concertam entre si para serem útieis ?
E há tantas formas de um idoso continuar a ser útil à Sociedade, colaborando em áreas práticas, ajudando segundo as suas possibilidades, com atividades manuais, por exemplo, que não impliquem grande esforço.
E vê-se pouco isso... !
E porque é que não se estimula mais os idosos a ajudar os mais necessitados; se puderem fazer comida, distribui-la e entregá-la a outros que estejam imobilizados; com o apoio de organizações adequadas.
Porque é que não se vê mais promoção de iniciativas desse teor ?
Estamos no Ano Internacional da Vida Ativa dos Idosos. É importante pensar nisto.
«Com os idosos está a sabedoria, e na longevidade o entendimento...» Prov. 12 : 12.
«Os idosos : que sejam sóbros, graves, prudentes, sãos na Fé, no Amor, na Paciência» Tito 2 : 2.
Li recentemente um texto na PROTESTE ( de março 2011 ) sobre Idosos, do Dr. Alfredo Bruto da Costa, que foi Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Ministro dos Assuntos Sociais, há já uns anos.
Gostava de deixar aqui um extrato porque nos parece exato e clarividente :
«Lares...são o último mal menor... São necessários porque temos um estilo de vida que retira aos idosos o seu lugar na Sociedade.
Os Serviços Sociais acantonam ainda mais, consolidando o seu principal problema que é a Solidão e ir deixando de conviver com as outras gerações.
Lares, Festas ( para idosos ), Turismo ( para idosos ), Centros de Dia ( para idosos ), tudo para idosos reforçam a exclusão.
O ideal é mantê-los no seu meio, ( no contexto social em que sempre viveram ), e completar aquilo de que precisam com serviços específicos.
Para mostrar que isto não é novidade refiro a Carta Social Europeia, de 1961, que Portugal retificou. Destaco o artigo 23º sobre os Idosos introduzido após uma revisão de 1999. Diz que
"...( Os Idosos ) devem manter-se membros plenos da Sociedade e participar na vida pública, social e cultural."
O meu modelo apela a um regresso à Família alargada. Pelo menos três gerações, Filhos, Pais e Avós têm de estar envolvidos enquanto Família única.»