ESCREVER POR PRAZER
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
O Proselitismo
Tem sido muito mal visto.

Sugere ainda, para muita gente, uma ideia pejorativa.   O esforço insistente e imoderado de trazer outros para determinada área de convicções.  Em geral religiosas.

Mas tenho-me confrontado com opiniões, muito válidas, que rectificam esse sentido.  Que o corrigem e de certo modo o actualizam.

Dizem, os que se debruçam sobre o assunto que hoje há menos emulação ideológica, ou seja, mais indiferença perante convicções com carácter absoluto e dogmático. Que se é mais atraído por posições consensuais ainda que mais superficiais, ficando mais pela rama...

Também creio que sim.  Os sintomas disso multiplicam-se. Mas não é, de forma nenhuma, um sinal positivo dos tempos...

Por isso o proselitismo hoje terá deixado de ser considerado como fragilizante da Igreja cristã, como favorecedor de extremismos, como expressão de atraso cultural.

É interessante lembrarmo-nos aliás que o proselitismo, activo e corajoso, dos que abraçaram há dois mil anos a Fé cristã, foi uma força fulgurante, no Império Romano, jorrando para o Oriente e para o Norte de África.  Foi um impulso proselítico muito forte e também genuíno e racional,  convincente,  gerador de vidas novas, e de outro sentido da Vida.

O proselitismo deve ser considerado uma forma de afirmação das convicções, aliciante pelo discurso apelativo que as suporta, como também pela vivência que as confirma.

O proselitismo pode ter formas diferenciadas de se realizar.  Mas não há evangelismo passivo, do género de "Aqui estou. Se quiserem venham ver como a minha Fé é bela".

Não há Evangelismo, seja de que tradição cristã for, sem proselitismo.

Contudo apreendo um tanto o futuro na Europa e em geral no seio da Civilização Ocidental.  Não virá algum dia em que por força de uma mentalidade ultra-laicista viremos a ter também entre nós leis restritivas do proselitismo, que são típicas dos países muçulmanos ?  Há "cheiros" disso aqui e ali.  Estejamos atentos.

O «Vinde após Mim». «Eis que estou à porta e bato...» de Jesus Cristo repercute-se através da Igreja pelos séculos.  Até hoje !

Dessa forma sim  -  no respeito pela liberdade de escolha, responsabilizante , de cada um  procurarei fazer prosélitos.




publicado por João Pinheiro às 20:28
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