Este texto tem por ponto de partida e inspiração uns pensamentos que retiro de um livro de Don Carson
Desejam os Pastores e responsáveis por igrejas locais, de todo o coração, o que é melhor para a Comunidade que servem para Deus ? Qanto tempo consagram pedindo isso a Deus em oração ?
Nos países ocidentais os Pastores são submetidos a pressões consideráveis, de diversos tipos e planos, e que acabam por influir sobre os Valores do Ministério.
Os Pastores tornam-se especialistas profissionais em relações de entre-ajuda, de administração, de finanças, de representação mediática.
O facto de trabalharem com profissionais e num contexto social constituído por profissionais fá-los darem-se conta, ao fim e ao cabo, de que eles não são profissionais, nem podem conduzir-se como profissionais...
No entanto, muitos outros, ao contrário de re-assumirem espiritualmente a sua condição "supra-profissional" tendem antes a integrar na sua vivência ativa direitos e também deveres próprios do quadro geral de profissionalismo em que vivem.
E acabam muitos por ficar comprimidos sob essa pressão que não é correta e que não se coaduna com o Ministério superior que exercem. Nem com a edificação do Povo de Deus.
Precisam muito das nossas orações.
«... Pastoreai o rebanho ... tornando-vos modelo do rebanho...» 1ª Pedro 9 : 1 - 4.
É hábito antigo o agradecer, por vezes "muito reconhecidamente", orações feitas em favor de alguém, nomeadamente do próprio sujeito que agradece ou de outro(s).
Ou então pedir com emotiva insistência orações no mesmo sentido, por vezes como se um grande favor fosse feito ao sujeito requerente.
Leio o Apóstolo Paulo "pedir", "rogar" mesmo, pelas orações dos crentes, por exemplo a favor do seu Ministério cristão. Efésios 6 : 19-20; 1ª aos Coríntios 1 : 3-7; 2ª aos Tessalonicenses 3 : 1 e 2. Etc.
Mas São Paulo não agradece. Nem mais ninguém, na Bíblia. Julgo mesmo que se pode afirmar que é um hábito "não bíblico" ! Tentarei explicar porquê.
Não tenho meios de verificar, historicamente, quando é que esse hábito começou e pergunto-me se valerá a pena... Nem é questão profunda e fundamental.
Mas - perguntarão alguns - se peço não deverei agradecer ?
Não sei. Porque ao agradecer expresso como uma dependência em relação a quem ora por mim. E quem ora por mim não o faz em atenção à minha pessoa, ou por simpatia particular, ou como um favor, para comigo.
É certo que as relações pessoais, afetivas ou outras, entre os filhos de Deus têm o seu papel importante nas batalhas de oração, na intercessão que dirigimos ao nosso Deus.
Mas o favor é feito por Deus que vê, ouve e responde !
Quando oramos pelos outros não é um favor afetivo que fazemos uns pelos outros. Quenado peço que orem por mim não é um favor que ME é feito. Se oro por alguém, que me pede as minhas orações, não o faço por simpatia ou por afeto por essa pessoa.
Por isso o meu agradecimento é dirigido a Deus, para sua Glória.
Eu posso rogar à igreja que ore por mim. A igreja fá-lo-á não em atenção para comigo mas partilhando comigo essa peleja espiritual em que Deus deve ficar honrado pelas resposta que der.
Eu rogo que lutem comigo. Por mim. Por outros. Pelo mundo que sofre e se perde. Mas um soldado - em geral - não se põe a agradecer muito ao outro, ao seu lado, por estar combatendo com ele, solidariamente, conjugadamente, contra "forças espirituais do mal". Efésios 6 : 12.
Orar pelos outros, irmãos na Fé nomeadamente, é um ato de prontidão espiritual e de Fé.
É um dever.
É um gesto, uma atitude espiritual genuina. É resultado da Vida de Deus em nós.
"Não, desculpe, não tem que me agradecer a mim...!" digo a quem me pede que ore por ele(a).
O termo, o conceito de Paixão aplicado ao Amor a Deus, ao Amor aos outros como resultado da Vida de Deus, ao Serviço de Deus, é algo perante o que tenho grande relutância.
Um afeto profundo, entrega total, consciente, racional, decidida, coerente com o resto da Doutrina bíblica não julgo ser idêntico à Paixão como impulso cego, sentimento humano, circunstancial, temporário.
Amar Deus é levar a sua cruz, morrendo para o mundo e para o ego. É amar como Deus ama em dádiva generosa, total. Não é uma paixão.
Paixão implica uma perda parcial de equilíbrio e de racionalidade. O fervor piedoso cristão não é paixão.
A paixão, o sentimento muito forte, o apelo sensorial, sentido por quem ama aquele ou aquela com quem vai unir-se para a vida tem a sua razão de ser, quando é puro e tem a aprovação de Deus. Mas depois desvanece-se e fica o verdadeiro amor, maduro, consistente.
Mas amar Deus é muito mais do que isso : é, nuclearmente, a expressão da Vida e da Presença de Deus em mim.
Mesmo em termos humanos, o Amor verdadeiro, sólido, durável, estável, interdependente, interatuante entre dois Esposos é quando utrapassou com segurança a paixão...
Eu já não estou apaixonado por minha Mulher. Eu amo-a !
Não me sinto bem quando ouço e leio de alguém que "ama apaixonadamente Jesus"...
Constata-se, de forma crescente, o uso de bater palmas em cultos das igrejas evangélicas. É coisa recente.
Vai havendo igrejas onde se aplaude quando alguém interpreta, com boa voz, um Hino bonito. Ou quando se refere que outro crente celebrou o seu aniversário, ou até quando o pregador produziu uma ideia de realce, assinalável. Etc.
Bate-se mesmo palmas "por Jesus" !!
Torna-se assim como uma forma de dizer "Amém" !
É certo que não é bom cair-se no legalismo. Mas é indispensável que uma assembleia de crentes saiba distinguir o sentido único do "Amém" de louvor a Deus.
Esse, além de se dirigir primordialmente ao Senhor nosso Deus, é também uma forma de encorajamento para a pessoa que está no púlpito, numa postura profética, proclamando a Palavra de Deus.
O aplauso, o bater as palmas, que é, nos espetáculos, um antigo hábito, ( que tem, provavelmente uns milénios de antiguidade com misturas de culto aos deuses pagãos... ) pretende aclamar e distinguir alguém que admiramos pela sua habilidade e performance.
Num ato de culto a Deus o bater palmas parece-me impróprio, pois é na base um sinal de apoio humano.
Quando isso acontece e eu estou presente respeito a sinceridade, a espontaneidade que outras pessoas expressam.
Mas não alinho.
Ouvi um Pastor dizer que Deus amou o mundo mais que o seu Filho porque deu o seu Filho para que a Humanidade fosse salva por ele, pelo Senhor Jesus Cristo.
Foi um pensamento emitido com certa rapidez. Mas muita gente o terá ouvido. Tratava-se de uma emissão TV.
É uma ideia original, e ousada, que eu nunca ouvi. Lamento não poder, nem haver condições para, perguntar a quem a emitiu que a fundamentasse.
Deus ama. Com um Amor perfeito prque divino. Mais : «Deus é Amor»: 1 João 4 : 16.
Deduzir graduações nesse Amor incalculável ? É impossível, julgo eu. E é inadequado espiritualmente.
O Amor de Deus manifesta-se multiformemente. Adequado a cada objetivo a que se dá e em que atua.
«O Pai ama o Filho. E confiou todas as coisas nas suas Mãos» João 3 : 38.
O Amor entre as três Pessoas da Trindade divina não é explicável. Não é comparáel. Constata-se e depreende-se com ajuda do próprio Espírito Santo. E é isso um privilégio espiritual concedido aos que são filhos de Deus.
«Como o Pai me amou assim eu vos amei» João 15 : 9.
O mundo, Deus amou-o de tal forma, de tal maneira, que deu o seu Filh unigénito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna.
A intensidade desse Amor, ( "...tanto..." ou "...de tal maneira..." conforme as traduções ) manifesta-se na forma como a Redenção foi concretizada : A Justiça divina foi satisfeita com a culpa dos nossos pecados assumida pelo Filho de Deus na Cruz do Calvário em Jerusalém.
Mas não posso conceber que ao cumprir esse Resgate, essa Redenção, essa Remição ( com "ç" e não com "ss") Deus tenha expressado algo que se pareça com um Amor maior ao mundo perdido, em vistas de o salvar, do que ao seu próprio Filho.
João 13 : 1 também significa, e é traduzido nalgumas versões por - «( Jesus )... tendo amado os seus... amou-os de uma forma perfeita»