Jules Ferry, de cujo livro, "La Révolution de l'Amour", escrevi um pequeno comentário de leitura há dias, conta nesse mesmo livro que num encontro de amigos e pensadores atirou para reflexão, embora de passagem e quase um tanto de forma discreta, a ideia de que Arte deveria ter, no mínimo, alguma marca de Beleza.
Riram-se-lhe na cara, conta ele. E JF não é propriamente um "saloio" nestes contextos "bem pensantes".
«Que tem a ver uma coisa com a outra ?» retorquiram-lhe. «Beleza sob que conceito ?»
Não sabemos - porque JF não no-lo diz - como é que ele próprio terá avançado com uma resposta à reação desconstrutora desse cenáculo de amigos.
E nós...constatamos. E ficamos a ver !
Desolados, com a incongruência !
Se Arte não veicula Beleza, o que é afinal Arte, Hoje ? E o que é Beleza ?
Nomes às coisas é fácl de dar.
A questão é, que coisas são as coisas a que damos nomes...
É verdade quando Saramago escreve nas «Intermitências da Morte» e com razão :
"Com as palavras todo o cuidado é pouco. Mudam de opinião como as pessoas"
Mas Arte sem Beleza tem para mim sabor a perversão de conceitos básicos, a que São Paulo se refere nas sua Carta aso Romanos no 1º cap, vers 25...
Um Amigo de longa data, cristão, da Ação Bíblica, emprestou-me um livro, de leitura um tanto pesada pelo estilo de exposição mas com ideias interessantes. «La Révolution de l'Amour», de Jules Ferry. Da Plon. Um livro recente. O Autor foi ministro de Jacques Chirac; ou da Cultura ou da Educação; já não me recordo.
Proporciona uma leitura interessante. Por isso faço aqui uma referência passageira.Tomei umas notas na base das quais escrrevo estas linhas.
É penoso para mim ler um livro que não me pertence porque não me permito sublinhá-lo. E sublinhando cativo as ideias, usufruo-as, disfruto delas... Foi um hábito que adquiri desde a Faculdade. E é assim por exemplo que leio a Bíblia sempre. O que me leva a ir comprando Bíblias de uso pessoal ao longo de vida...!
Mas voltando ao livro de que falava. O título é enganador. O Amor para JF é um Valor de interesse solidário, de dádiva, de conhecimento "do outro", sobretudo "de mobilização quando há sofrimento".
JF não é crente, cristão. Vê o Cristianismo como inspirador do que chama "espiritualidade laica". Ou seja, refletir numa "vida boa, mas sem passar por Deus nem pela Fé".
E define então o tempo presente como marcado por três dinâmicas, que desenvolve depois.
- A desconstrução das Tradições, nomeadamente a do cartesiaismo da "Modernidade", das "Luzes" do final do séc XVIII. E a do Deus judaico-cristão.
- A mundialização liberal.
- E por fim aquilo a que dá o nome de "sacralização do humano"; mas concretizada de forma estoica, sem prisão ao real, porque este está em "constante metamorfose". "Sagrado" aliás, para Jules Ferry é "aquilo pelo qual vale a pena sacrificar-se". Sãom Paulo res+ponde a isto, por exemplo, na carta aos Roamnos 3 : 21.
Um cristão encontra neste livro coisas que o fazem pensar, naturalmente. Um leitor assiduo e interessado da Bíblia chega no entanto à conclusão de que só a perspectiva da cosmovisão cristã permite uma reflexão segura sobre a natureza humana, sobre a razão de sermos o que somos e de estarmos onde estamos. Do mundo como é. E da Eternidade !
Em março passado, há portanto uns três meses, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos sentenciou quanto ao retiro de crucifixos das Salas de Aula na Itália, e por arrasto, em todo o lado da UE.
Todos soubemos dessa decisão da UE em mais uma vaga de laicismo.
Os Evangélicos, lá no fundo, nunca viram muito pacificamente a presença desses crucifixos.
Eu, por exemplo, cresci a vê-los, durante ditadura de Salazar e do "Estado Novo", em todos os cantos das Escolas e até das Administrações Públicas.
No entanto depois da Revolução dos Cravos entrámos também na onda do "laicismo democrático".
Uma das razões do distanciamento dos Evangélicos quanto ao crucifixo era justamente porque expressava uma religiosidade de cariz meio político, controladora de excessos liberalizantes : ser bom católico era ser bom salazarista; e os protestantes foram segregados durante a ditadura.
Outra, era que o crucifixo se tornava alvo de uma devoção feita de rezas e de "sinais da cruz". Algo a que os Evangélicos eram estranhos, na sua Fé bíblica e no Senhor Jesus Cristo resuscitado.
Ainda mais uma razão era - e é - que a Fé dos crentes de raiz bíblica se baseia mais num Senhor que já não está na Cruz mas está vivo, presente no Céu, intercedendo por nós.
Ora - e segundo notícias veiculada pelo Breakpoint de Colson - o referido Tribunal Europeu achou que os cruicifixos podem muito bem continuar onde estão, nos sítios públicos, porque na verdade «(...) não são verdadeiramente símbolos religiosos mas antes expressão cultural de Valores de Liberdade, de Direitos humanos, base do Estado secular moderno»
Mas quanto aquilo que a Cruz de Cristo é, ou seja a Redenção da Humanidade pecadora, a sua Liberdade sim, mas da escravidão do pecado, quanto a isso "disse nada" !
E eis os Evangélicos a tomarem de novo posição mas agora de sinal conttrário. A Cruiz não é um símbolo passivo. É um apelo a uma Vida Nova, por Cristo, a uma relação renovada e renovadora, revolucionária, regeneradora, com Deus.
Comemorámos ontem PENTECOSTES.
Julgo - não estou certo, e gostava que me esclarecessem - que são poucos os meios, as Congregações, as igrejas locais, - no contexto Protestante ou mesmo Evangeoico - que comemoram esta data, que tem um significado imenso :
Começou então a Igreja de Cristo, universal.
Mesmo a igreja católica romana, faz as sua Missas contextuadas, mas Pentecostes e o seu Significado profundo dilui-se no formalismo, no ritual.
Há algo de errado nesse desprendimento celebrativo.
Páscoa, tal como Natal, Ascensão e Pentecostes são Marcos fundamentais na História do Cristianismo universal.
Mesmo que restringíssemos a referência ao simples âmbito da Cultura teríamos reflexões bem abrangentes e justificadas a fazer.
Pentecostes, serm pretender emitir pensamentos profundos, deu
uma forma diferente, revolucionária, de Deus intervir junto do Ser humano, judeu e bárbaro ou "grego",
um modo diferente em absoluto na nossa relação com Deus,
um sentido totalmente renovado da presença do Homem na Terra, da Ética dos seus comportamentos, da Justiça que os configura,
um signficado inédito de"Fé",
nascimento a uma Força viva, nova, imensa na sua projeção mundial, a Igreja, formada pelos que, arrependidos, Atos 2 : 38, foram investidos no «direito de serem filhos de Deus, os que crêem no seu Nome», João 1 : 12.
Até então era uma Celebração de entrega, de dádiva a Deus, em Israel, a Festa de Colheitas,. Dava-se a Deus sa Prímícias das Colheitas.
Pentecostes é a Dádiva de Deus, o revestimento de Poder. Para Deus mudar o Mundo, a Vida, pela Pregação do Poder do Evangelho.