ESCREVER POR PRAZER
Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011
A Igreja cristã institucionalizada

 

Li um pensamento interessante num lvro de Hannah Arendt ( "A Promessa da Política", uma tradução recente, que acabei de ler ),pensadora alemã, 1906-1975, faleceu nos USA, e não quero deixar de o registar aqui.

 

E é ao mesmo tempo uma forma de não esquecer o óbvio, o que marcou a história da Igreja Cristã:

 

«A religião ( pagã ) romana tornou um dever sagrado preservar o que fora outrora transmitido pelos antepassados, os "maiores".  A Tradição tornou-se, portanto, sagrada e não só permeou a República Romana, como sobreviveu também à sua transformação em Império Romano (...)

A Religião e a Tradição tornavam-se assim inseparáveis umas das outras (...)

Mas a potência máxima do espírito romano...só depois da queda do Império Romano se revalaria, quando a nova Igreja Cristã se tornou profundamente romana, e reinterpretou a Ressurreição de Cristo como base a partir da qual deveria ser fundada uma outra Instituição perene.  Com a repetição da "fundação de Roma" através da fundação da Igreja Católica a grande trindade política romana de Religião, Tradição e Autoridade pôde ser transposta para a era cristã(...)

A Igreja Cristã, como Instituição pública que herdou a conceção política romana da Religião, acabou por ser capaz de prevalecer sobre a tendência anti-institucional fortíssima do credo cristão, tão manifestamente prresente no Novo Testamento.  ( O sublinhado é meu ) (...)

A sua pedra basilar tornou-se desde então não a simples Fé cristã...mas antes a prestação do testemunho ( auctoritas ) do qual retira a sua autoridade enquanto aquele vai sendo transmitido ( tradere ) como Tradição de geração em geração.

Foi porque a Igreja no seu papel de nova proteção do Império Romano, manteve intacta a trindade essencialmente romana de Religião, Autoridade e Tradição que pôde mais tarde tornar-se herdeira de Roma(...)

E que esta fórmula romana tenha permanecido durante a Idade-Média talvez tenha sido o maior triunfo do espírito do Império Romano.(...)

...rutura operada mais tarde pela Reforma Protestante, que atingia assim o essencial da autoridade institucionalizada... ( pgs 46/47, ed. Antropos/Relógio D'Água, 2007 )



publicado por João Pinheiro às 17:41
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Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011
A força das palavras

 

"Deus Poderoso,

 

outorga-nos o sentido das palavras,

 

a luz do entendimento,

 

a nobreza da linguagem,

 

a fé de uma natureza verdadeira.

 

Concede-nos que possamos dizer

 

aquilo em que cremos !"

 

Bispo Hilário de Poitiers,  Séc. IV



publicado por João Pinheiro às 10:26
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
A Reforma Protestante, que passou ao largo

 

A Reforma religiosa foi um fator decisivo para a modernidade, na Europa e no Mundo.

 

É já um lugar comum, dizer isto.

 

Mas nunca é demais lembrá-lo.

 

O grande impulso científico renascentista também o foi.

 

Portugal não soube agarrar o primeiro.

 

Antero de Quental refletiu sobre isso no seu texto sobre as causas da decadência peninsular.

 

E quanto ao segundo... Portugal estava demasiado periférico. E seguiu-o à distância.

 

Um Ribeiro Sanches ( judeu por opção ) distinguiu-se. Sobretudo lá fora.  Francisco Sanches também.

 

Os nossos Pedro Nunes, e Garcia da Horta, ambos de ascendência judaica, e outros, não tiveram continuadores de vulto.

 

Ficámos no barroquismo expressionista.  Faltou-nos o impulso do pensamento vanguardista do século XVI e XVII.  E as condições políticas para o contextuar.

 

A perda da autonomia política, com os dois reinos, português e espanhol, geridos pelo mesmo monarca espanhol, também não ajudou.

 

Os nossos cérebros de elite sentiam-se bem na corte em Madrid, e com as elites de Salamanca.

 

Voltando à Reforma, ela impulsionou a filosofia  e a ética do trabalho.  E a do capitalismo nascente. Assim como a função do dinheiro.  Igualmente o poder da iniciativa e do investimento.

 

E não esqueçamos que o grande impulso dos "direitos humanos" que o racionalismo do séc. XVIII, no centro da Europa, gerou teve os Valores básicos do Cristianismo como parâmetros inspiradores, mesmo que incosncientemente. ( Marx, em rapazinho, chegou a ser doutrinador cristão... !

 

Sem o Cristianismo alguma vez os Direitos Humanos teriam tido o fomento e o incremtento que tiveram ? Ainda que inconfessadamente.

 

 

Por cá afundámo-nos no romanismo da religião.  E assim ficámos a olhar para  -   e a ser ultrapassados por  -  os outros, lá no centro da Europa.

 

Isto até ao século XIX em que brilhámos com alguns relâmpagos de pensamento, de erudição e de arte; com Antero, com Herculano, com Pessoa.

 

E o grande impulso da Reforma Protestante ficou para os outros...




publicado por João Pinheiro às 09:03
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Domingo, 20 de Fevereiro de 2011
Pregar !

 

 

 

«Preguem o Evangelho !

 

Em todas as ocasiões.

 

E quando for necessário,

 

aaaaaaaa usem as palavras»

 

 

( Frase, bem conhecida, atribuída a São Francisco de Assis )


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publicado por João Pinheiro às 09:00
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011
«Infobesidade» !

 

É um neologismo da atualidade !

 

É a dependência dos meios de comunicação.

 

E em particular dos meios de tecnologia recente, como os telefones celulares de geração recente, ( telemóveis em Portugal ), os Ipod, os MP3, a Internet, os e-mail's, os Fecebook, os Twitter e afins, etc, etc.

 

E a televisão.  A digital em breve, claro !

 

É a febre de se manter "ligado"...

 

Transmite a sensação de não estar isolado.

 

Mas...

 

...não se está com os outros !

 

É o mal do século !

 

São múltiplas as previsões pseudo-científicas, ou pseudo-tecnológicas.

 

Há quem vá à igreja com a Biblia inserida no celular.

 

Por outro lado, o Livro, em papel,  não tende a desaparecer.  Muita gente ainda, em todos os Continentes, não o dispensa.

 

Mas não se sabe nem o ritmo nem os perfis do que virá, já a seguir.

 

Infobesidade !

 

Mas há terapias de emagrecimento.

 

O info-jejum de vez em quando é uma. 

 

Nós, aqui em casa, não nos sentimos mal quando nos ausentamos de casa sem computador..  E com pouco uso de televisão e de telemóvel...

 

 




publicado por João Pinheiro às 08:13
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