Acabei de ler o livro sobre Salazar de Jaime Nogueira Pinto ( de 2007, «A Esfera Dos Livros» ).
A certa altura dá uma informação curiosa.
Falando da punição disciplinar que foi dada pelo Ministério dos Estrangeiros a Aristides de Sousa Mendes por ter concedido uns dez mil vistos de entrada em Portugal a judeus, durante a primeira fase da II G. Mundial, em Bordéus, o Autor, para já, lembra que, seja como for que tenha sido, o facto é que Salazar não impediu nenhum desses judeus portadores de visto português de entrarem em Portugal. E podia tê-lo feito, anulando os vistos.
Depois refere - e isto não é muito divulgado... - que em 1943 o mesmo Salazar aprova e facilita em Budapeste, na Hungria, a concessão de um milhar de vistos a judeus húngaros.
E, a pedido de Moisés Amzalak, um Professor universitário que eu próprio conheci nesses tempos, Salazar interveio junto dos alemães para salvar uns quantos judeus holandeses, concedendo-lhes até a nacionalidades portuguesa !
Curioso !
"A verdade seja dita..."
Juliano, Imperador romano ( séc. IV d.C ), era sobrinho de Constantino, aquele que deu ao Cristianismo, em Milão, foro de religião aceite em todo o Império.
Juliano, como Imperador, deixou o Cristianismo e re-implantou o paganismo.
Por isso lhe chamaram "O Apóstata".
Tendo confiscado os bens aos Cristãos emitiu, numa das suas Cartas (F.C. Hertlein, Juliani Impertoris ), esta saída verrinosa que merece registo :
«Os bens dos cristãos foram confiscados unicamente para que possam entrar pobres no Reino dos Céus»
( 1ª Bemaventurança de Mateus. )
Diz a lenda que morrendo num combate ( com trinta e poucos anos ) terá clamado : «Venceste Galileu!».
Lenda ou não, o "Galileu" é Vitorioso desde a Cruz do Gólgota !
É um dos aspetos valiosos, apreciáveis, da complexa Sociedade em que vivemos : o Pluralismo.
Uma Sociedade em que é permitido, se não mesmo encorajado, a que se expressem livremente diversas correntes e opções de pensamento, de ideologia, desde que respeitem princípios básicos éticos e de respeito cívico, isso é bom.
Mas há uma outra ideia de Pluralismo, paralela a esta que implica o repúdio de uma Verdade absoluta, que afirma ser a Verdade coisa sempre relativa, definida não como algo de arquétipo, como superior à mente humano, mas pelas opções livres que surgirem no confronto pluralista, julgado saudável, de ideias diversas.
É este segundo aspeto do Pluralismo que não aceitamos, nós os cristãos.
A Verdade como realidade última existe e deve ser procurada e segu8ida.
Essa Verdade raramente se encontra ou é definida na síntese pluralística de ideologias.
A Bíblia responde ao Pluralismo religioso com textos como este :
«...esforçando-vos diligentemente por preservar a UNIDADE do Espírito no vínculo da Paz.
Há somente UM Corpo, e UM Espírito, como também fostes chamados NUMA só Esperança da vossa Vocação.
Há UM só Senhor, UMA só Fé, UM só Batismo, UM só Deus e Pai de todos
o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.» Carta de São Paulo aos Efésios 4 : 4 a 6.
Para todos, cristão ou não, o diálogo e o respeito pelo que os outros pensam, desde que dentro dos parâmetros universalmente aceites de lógica e de bom senso, é algo indispensável, hoje.
Mas, para nós cristãos, há uma Verdade. A da Revelação de Deus, e a da Pessoa e da Palavra de Jesus Cristo : «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» ! João 14 : 6
Barak Obama deu o seu apoio à construção de um Centro Islâmico e de uma Mesquita monumental no que os americanos chamam o "ground zero" de Nova Yorque, no coração de Manhatam, junto ao sítio onde se erguiam as Torres Gémeas tragicamente destruídas pelo ataque terrorista de 11 de setembro, mas de inspiração islâmica.
Obama pretenderá assim - pensa-se - dizer que se trata de uma medida de tolerância pluralística. É como uma bofetada " de luva calçada" em resposta às retrições e às perseguições que sofrem as ideologias religiosas, nomeadamente e sobretudo a Fé cristã, nos países islâmicos.
Se eu fosse cidadão norte-americano sentiria como uma afronta essa construção nesse sítio. Tal como sente da mesma maneira uma grande maioria da população dos USA.
Os muçulmanos tomarão essa cedência como mais uma grande vitória do seu expansionismo no Ocidente.
A propósito : Na Bélgica todas as sextas-feiras um iman apela os seus fiéis às orações a partir do campanário de uma igreja católica cujo pároco a cede para isso numa atitude de "pluralismo religioso". Tanto no campanário como no exterior da própria igreja são de cada vez devidamente cobertas imagens e outras coisas que possam ofender os féis muçulmanos.
Eles não têm - nem lhes interessa ter - a nossa sensibilidade face à ideia, ocidental, de Pluralismo.
No próximo post vou deixar mais uma curta reflexão sobre dois aspetos do "pluralismo", a ter como ideia clara.

Em Julho uma criança, 10 anos, no Bengladesh pôs termo à vida após - julga-se - ter sido sujeita a um duro castigo disciplinador por parte do seu professor.
O Governo não demorou muito tempo que não banisse o castigo corporal nas Instituições Educativas.
É uma notícia da Time.
Um relatório da UNICEF, do ano passado, estima em 88% as Escolas no Bengladesh usando chibatas e paus para castigar estudantes.
É claro que a notícia tem todo o estilo de ter sido inspirada por modernos pruridos de direitos das crianças e de suavização de rigores restritivos radicais.
Essa visão da vida, e sobretudo da Educação, é universal. Mas a Cultura Ocidental, talvez desde os anos 60, cruciais, tem essa marca "de água"...
Sem, dúvida que os abusos disciplinadores por parte de Educadores e até de Pais, mal formados uns, ignorantes outros, sem caráter e perversos outros ainda, têm de ser objeto de atenção por parte da Scoeidade e das Autoridades instituídas, democráticas.
Somos Professores, a Henriette e eu. Em toda a nossa carreira não "tocámos" nunca numa criança não só porque não nos era permitido mas porque tal nos repugnaria profundamente.
A força e a autoridade da Disciplina não vêm do uso da violência seja em atos seja verbais ou de atitudes.
Vem da força da Justiça, daquilo que é razoável, do respeito pelos outros, nomeadamente dentro de uma Escola, pelo respeito pela própria pessoa, a criança ou o adolescente, que deve sentir-se formado(a) e dirigido(a) com firmeza, com verdade. com retidão. Sem violência.
Mas a Bíblia adverte : «Não retires da criança a disciplina. Se a castigares com vara não morrerá»
Não há formação e Educação possíveis sem Disciplina. E não só nas criança e adolescentes...
Resta saber por que Valores são elas inspiradas.
Bem entendido que, nesta referida passagem bíblica, de Provérbios, 23 : 13 o termo "vara" trazido para o contexto cultural em que vivemos deve ser tomado como sinónimo de Disciplina.
Também São Paulo lembrava a Timóteo e aos líderes religiosos que «...devem criar os seus filhos sob disciplina, com todo o respeito...» 2 Tim 3 : 4.
Julgo que é dos pontos mais nevrálgicos das Sociedades do nosso tempo e em que mais necessidade há de fundamentos válidos, coerentes e com a consistência de Normas divinas.