Saudamos no "25 de abril" em Portugal os ideais de
LIBERDADE, no pleno respeito pela Pessoa e pelas Ideias do Outro.
TOLERÂNCIA, para quem não pensa como EU.
SOLIDERIEDADE, para com os mais desfavorecidos na Sociedade.
DEMOCRACIA, o respeito pela vontade das maiorias e o dar voz e representatividade a todos.
Ainda que isso implique um grande esforço da Sociedade na Educação e na Informação de uma população ou do Grupo humano em que se exerce essa Democracia.
Nenhum desses Valores tem qualquer eficácia sem Deus, sem a Verdade de Deus consignada nas Escrituras e manifestada em Jesus Cristo.
Evangelho segundo S. João 8 : 32
Calvino teve um comentário curioso à passagem de Génesis 1 : 20.
Lembra-nos o Professor e Pastor Emile Nicole que tanto na Vulgata, em latim, como na versão chamada "dos Setenta", em grego, lê-se :
«Que as águas produzam seres de alma vivente e aves sobre a Terra e sob o firmamento do céu»
Calvino procurou tornar plausível essa incongruência das águas produzirem aves. E argumenta :
- `Se Deus criou o mundo a partir do nada não poderá criar aves a partir da água, tal como criou a Luz a partir das Trevas ?
Aliás - continua - a água tem mais afinidades com o ar do que com a terra.
Para além de que Moisés, conclui Calvino, terá pretendido maravilhar-nos com o Poder criador de Deus que não está sujeito à Criação antes a domina´.
Argumentação de um crente. E incontestável !
Mas o certo é que o original bíblico hebraico, com o qual Calvino não estaria assim tão familiarizado, diz, como está na versão de Almeida e em todas as Bíblias modernas em geral ( Gén 1 : 20 ) :
«E disse Deus : Produzam as águas abundantemente seres vivos e que voem aves sob o firmamento dos céus» ( Versão Revista e Atuallizada no Brasil ).
E sendo assim não há qualquer problema exegético !
Uma forma verbal hebraica mal interpretada, na segunda parte do período.
Mas, mais uma vez constatamos como é importante a questão das Traduções bíblicas, as quais podem desfigurar o pensamento divino ! Quando afinal deverão ser-lhe rigorosamente fiéis.
Ouço poucas pessoas orarem a Deus por esta temática...
Hoje foi o "Dia da Terra".
Todo o interesse, todo o cuidado, todas as estratégias que possamos adoptar, todo o carinho, diria até, que possamos demonstrar pela Terra e consequentemente pelas questões ambientais não é em demasia.
Particularmente e em especial os cristãos têm um "Mandato cultural" específico e preciso nesse sentido expresso na Bíblia, em Génesis, capítulo 1, 28 e 29. Confirmado, por exemplo, no Salmo 8, 5 a 8 e na Carta aos Hebreus cap 2, 7 e 8.
O Homem, como rei da Criação, tem a responsabilidade de cuidar da Terra que lhe foi assim sujeita. E que criada para ele.
Essa Criação que Deus mesmo constatou ser "Boa !"
Ao dar cumprimento a esse Mandato o Homem está honrando o Criador.
É este o sentido com que celebramos um "Dia da Terra", nós os cristãos.
Outro sentido que possa ser induzido a qualquer celebração da Terra é paganismo.
É impiedade. Ou seja : "repúdio de Deus".
Voltaire ( lamento não poder dizer onde ) teve um pensamento curioso,
talvez com certo exagero negativo :
«Há pessoas que são como os mosquitos.
Damos por elas quando picam»
E eu fico a pensar :
Há picadas que magoam. Mas há também as que alertam.
Possivelmente a questão fulcral, e noutra perspectiva, seria
darmos pelas pessoas,
fazer-lhes bem...
e não sermos nós a "picá-las".
É normal que as instituições - todas elas, Família, Sistema político, Escola, e a Igreja cristã, claro, - sejam afetadas pela Cultura do seu tempo.
Sempre o foram.
Só que têm de fazer constantemente um esforço de seletividade, de escolhas, para manterem funcionalidade eficaz na Sociedade onde têm a sua razão de ser.
É uma questão de sobrevivência.
Os tempo atuais são de massificação. E de violência. De facilitação, de imediatismo, de lucro e hedonismo, de comunicação prioritariamente pela imagem, de ultrapassagem, sempre que possível, do esforço pessoal. Muitos chamam a esta Cultura "pop".
O séc XX terminou em pela globalização; que até tem os seus aspetos positivos.
Mas a Escola, por exemplo, perde consistência atuante se lhe for substraído no seu âmago o sentido e a dinâmica da "Autoridade". E da Informação consistente ( a Escola só se concebe como o local onde o saber é comunicado ).
A Família, o mesmo. Se perde a sua natureza primária para que foi criada e estabelecida.
A Igreja, cristã - para me limitar às que nomeei - cai facilmente na necessidade de impressionar, no contexto da cultura pop, através da emoção prevalecente sobre a racionalidade, tanto no púlpito, como na exposição homilética.
O mesmo na música, no louvor, do ritmo, da prevalência da intensidade sonora sobre a harmonia e sobre os conteúdos profundos e não bombásticos.
Na pregação, na exposição doutrinária é clara a tendência para o discurso fácil, primariamente apelativo sem um substancial apoio escriturístico, bíblico, o único que dá expressão sustentada e coerente ao discurso da Fé.
Assiste-se a exposições temáticas sobre doutrinas fundamentais da Fé sem se ler, como prova das afirmações, um só texto bíblico. E sem que esteja presente um só exemplar da Bíblia !
Salvo excepções, dignas de apreço.
São declives perigosos e preocupantes.