Dou-me conta de que as pessoas - em geral, e globalmente - encaram o cancro ( ou o "cancer", como se diz no Brasil ) como uma fatalidade.
«Pronto. Mais um(a) ! Coitado(a) !» - Parece-me ser este o pensamento que aflora rapidamente ao espírito quando se recebe a notícia ou a informação de que a esta ou aquela pessoa lhe apareceu um cancro.
É - para certas pessoas, talvez ainda para muita gente - uma espécie de "morte anunciada" de que com "alguma sorte" ainda se poderá safar...
Quanto a mim, na minha experiência, atual, essa atitude mais o ar e os termos circunspectos e contidos com que perguntam pela saúde deixam-me de certo modo perplexo e por vezes sem saber com que cara devo responder ao ar preocupado e apreensivo de quem - com toda a simpatia e mesmo afeto - faz a interrogação.
Primeiro, não tenho medo de morrer. Sou um crente cristão. São Paulo escreveu aos Filipenses isto :
«Para mim o viver é Cristo e o morrer é um ganho». 1 : 21.
Segundo, o cancro, nas suas diversas manifestações, e para além do sofrimento que em muitos casos provoca, já não se apresenta com o fatalismo de há uns anos atrás. Diz quem sabe. Para além de que está tão generalizado ( fala-se em perto de uma em cada cinco pessoas que é atingida ) que perdeu o impacto emocional que tinha.
Estou aprendendo muito com isto tudo...! Nomeadamente a viver cada momento com humildade na dependência do meu Deus !
E sobretudo a estar-Lhe grato pelo que me proporciona e me ensina "hic et nunc".
«Não conheço, quanto a mim, outros caminhos de Criação senão os que se abrem passo a passo, quer dizer, palavra a palavra, pelo caminho da escrita.
Antes de me pôr a traçar sinais de escrita no papel não há nada, a não ser uma amálgama informe de sensações mais ou menos confusas, de restos de memória, com maior ou menor precisão, acumulados.
E um vago - muito vago - projeto.»
Claude Simon, Linguista. Em 1970, "Les sentiers de la création".
Um Colégio, católico, nos USA. enviou uma Carta aos Encarregados da Educação de uma Criança aluna do Colégio pedindo que a Criança fosse retirada do Estabelecimento de ensino para seu bem.
Normalmente uma decisão interna deste tipo apenas poderia ter levantar, às pessoas interessadas, algumas interrogações.
Mas não foi assim.
É que teve a ver com algo que está marcando inexoravelmente a Cultura do nosso tempo.
Os supostos "Pais" da Criança são um casal de lésbicas.
Atendendo a que no Colégio se ensina que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é contrário às Normas de Deus, foi considerado, pelas autoridades responsáveis, nocivo para a Criança continuar a receber um tipo de educação que iria mais tarde ou mais cedo provocar-lhe fortes problemas afetivos e psicológicos e que afetariam o seu bem-estar.
Curiosamente não foi essa preocupação com a Criança que levantou a enorme celeuma e discussão pública !
Foi antes a suposta "discriminação" e a falta de "amor" por parte do Colégio em relação aos pretensos "Pais" !
Algumas igrejas protestantes incluiram-se nas entidades que se insurgiram publicamente.
É este o mundo em que estamos vivendo. Como um anoitecer de indefinição, lusco-fusco, de alvos obscurecidos.
Está a começar a Primavera
Ao passar por situações pesadas, em termos físicos, de saúde e outros, este limiar rejuvenescedor traz um sopro de frescura interior.
Traz consigo implícita e tácita uma esperança de vida.
Mas eu quero mais : A Vida abundante da Presença de Cristo.
Vida apesar dos traumas.
Vida apesar dos desgastes,
Vida apesar das células cancerosas e das quimio e radioterapias.
Vida apesar dos imprevistos incontroláveis. ( O nosso Apartamento foi alvo de tentativa de arrombamento ).
A Vida da Fé e das Promessas de Deus é assim.
Julgo que Fé sem luta, sem obstáculos, sem decepções não se dinamiza... Não é Fé explosiva e atuante.
E é a minha oração.
( Distingo sempre com maiúsculas a Vida e a Fé de génesis divinas. São conceitos específicos e por isso isolados )
Passei a ver o Desporto, em termos globais e genéricos, como um mundo onde há de tudo. Como aquilo que é efetivamente.
Um universo onde se chega a tolerar tudo : a corrupção, a venalidade, o orgulho desmedido e o individualismo exacerbado. A ambição do dinheiro e a força do poder económico. O profissionalismo corruptor e desvirtuante, a paixão doentia ( uns Pais que procuram adiar o casamento da Filha para não perderem um jogo fulcral para o seu clube... ! ) e a violência selvagem, dos desportistas de bancada e também dos atores...
Até a religiosidade descabida e descabelada como indivíduos que se benzem nos jogos e rezam, e fazem o sinal da cruz. E outros que oram a Deus por golos !
E os casos jurídicos que sustentam as atenções das mentes desocupadas.
E o caso das "Bíblias do Benfica" !
Desporto assim não presta e é mau. É uma patologia social. É uma chaga que faz gastar rios de dinheiro a quem precisa dele para comer e para dar de comer à família.
Continuo a gostar de ver, no futebol por exemplo, um golo bem metido, uma progressão fulgurante por entre a defesa adversária.
Mas em geral mete-me náuseas.
Aliás é doença velha.
Em Roma já se dizia que para distrair o povo dos seus interesses genuínos era dar-lhe "panem et circenses", ou seja : "pão e circo".
E enchiam os Circos para ver e para aplaudir os gladiadores a matarem-se, e os cristãos a serem comidos pelas feras.
Desporto assim não.