Pentecostes foi o Poder transformador, revolucionário, de Deus rompendo na História, ignificando a Humanidade !
Começou a Igreja. Testemunho de Cristo. Poder de Cristo. Por toda a Terra.
O milagre da glossália, foi como um selo confirmador do Poder de Deus irrompendo por entre as Nações, Mas consistiu também noutro fenómeno semântico :
A capacidade de falar uma nova linguagem.
«Que quer isto dizer ? perguntavam-se uns aos outros». Actos 2 : 12.
O Evangelho do arrependimento e da Salvação exibia-se numa forma de falar que não era comum. Mas que falava à alma. Que remexia visceralmente com a vida de cada um.
O Evangelho "dito" num tipo de discurso corrente não cria ignição...
O Evangelho tem a sua própria forma de expressão. ( Embora não ritualista nem formalizante ) E quando o Evangelho da Salvação divina, do Perdão e do Amor de Deus, da Esperança infinda de que os crentes, filhos de Deus, se apropriam pela Fé, quando essa Mensagem se faz ouvir, na sua linguagem própria, incendeia, comunica Vida.
Não há que adapatar-lhe a sintexe...
Esse milagre do Poder de Deus começou no Pentecostes.
Essa nova linguagem, da Fé, ecoa ainda hoje pelo mundo fora pelo testemunho da Igreja e de cada cristão nascido de novo !
Até que Cristo volte de novo, é Pentecostes. Hoje ainda !
Na Mão de Deus, na sua Mão direita
descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortais com que se enfeita
a ignorância infantil, despojo vão
depus do Ideal e da Paixão
a forma transitória e imperfeita.
Como criança em lôbrega jornada
que a Mãe leva ao colo agasalhada
e atravessa sorrindo vagamente
selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
dorme na Mão de Deus eternamente !
Antero de Quental
«A admiração está na origem de toda a vocação», escreveu Michel Tournier, escritor francês contemporâneo.
Encontrei esta frase no livro "Témoignages", de Nicolas Sarkozy.
Há aí um fundo de verdade.
Aquilo que admiramos forma-nos.
Admiramos o que aprendemos a descobrir, a observar e a admirar. Sejam factos históricos, sejam ideias, sejam pessoas.
O que admiramos, particularmente personalidades, tornam-se projectos. Projectos de trabalho, de intervenção, de vida. O que Michel Tournier chama "vocações"; termo aliás de conteúdo indefienido.
Sarkozy, por exemplo, é um gaullista. Lenine determinou imensos projectos de vida. Outrasfiguras arruinaram gerações pelas suas utopias que acabaram por se revelar demolidaoras. Mao-Tsé-Tung, por exemplo. Hitler foi admirado e amado.
Há também as admirações perversas. A admiração da fealdade, do que descontrói a Harmonia e o Bem.
Há quem admire o diabo. E o siga.
Há admirações miméticas que são tragicamente pérfidas. É quando adolescentes entram armados numa escola a matar estudantes e professores. Casos que se vão repetindo...
São admirações diabóilicas. Tudo o que é mau tem força apelativa.
Quem me conhece sabe o que eu, e e os meus, admiramos.
São Paulo disse aos Efésios : «Sede imitadores de Deus como filhos amados» ( 5 : 1 ).
A Figura de Cristo desencadeia um impulso íntimo de admiração.
Essa admiração pode ter dinâmicas várias :
Medo. E fuga à responsabilidade...
Exaltação idealista, e por isso limitadora...
A entrega : «Quem me segue não andará em trevas. Terá a Luz da Vida !» ( Ev. de João 8 : 12 ).
Mais que um projecto de Vida, como sugeri, trata-se da Vida plena, no seu sentido integral !
Um estudo recente, feito por uma entidade reconhecidamente idónea nos USA, denuncia o facto de que o excesso de preocupação, da parte dos pais, com a auto-estima dos filhos, faz destes bruscos, grosseiros, centrados-em-si-mesmos, arrogantes.
Estudos e conclusões destas começam aliás a ser frequentes.
Habituados e "responderem" sem respeito aos Pais, farão o mesmo aos Professores. E depois aos Patrões.
E a relação Marido e Mulher mais tarde torna-se intolerável.
Não são qualificações exageradas. Nós os Professores sentimos isso na pele.
Mas os próprios Professores, que também são na maioria dos casos Pais motivados pelo mesmo conceito de Educação, eles próprios são vítmas e são fautores dessa mentalidade juvenil.
Sem preparação para esse confronto, reconhecendo-se eles próprios nesse quadro psicológico, os Professores tendem a reagir por impulso natural e quantas vezes da pior forma !
Os Pais não toleram quem interfira no caminho dos filhos e no que eles consideram o desenvolvimento autónomo, autêntico e auto-suficiente das suas crianças. São conceitos utópicos e românticos que não escondem a sua raiz em Jean-Jacques Rousseau.
Educação como processo - doloroso muitas vezes - de formar ( com o amor de Pais ) a vontade própria para uma vida de convivência, no respeito pelos outros, no respeito pela vida humana, na procura do bem dos outros e do que é justo como fonte autêntica de felicidade, no trabalho esforçado, para aprender, para saber ser e para saber viver, essa Educação é algo que se aceita mal e que não se concebe facilmente nos tempos de agora.
A profunda recusa em aceitar a natureza humana como ela é, está denunciada na Bíblia :
«Enganoso é o coração mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Quem o conhece bem ?». Jeremias 17 : 9
Há uma alternativa à educação de cranças grosseiras, arrogantes, egotistas.
Dizia o rei Salomão nos Provérbios, na Bíblia :
«O que aceita a correcção ama o conhecimento. O que aborrece a repreensão é um bruto». ( 12 : 1 )
Deus, na Bíblia, tem uma resposta.
Hoje celebra-se no mundo cristão a ASCENSÃO do Senhor Jesus Cristo.
Ou antes, deveria ser celebrada.
Procurei uma pintura clássica para ilustrar o meu post de hoje. Encontrei esta de Fernão Gomes, do Séc. XVI, no Museu do Funchal, dentro do estilo e da cosmovisão da época. É uma pintura a óleo, sobre madeira.
A Ascensão de Cristo passa quase despercebida hoje, seja em que área for !
É inconcebível.
E contudo é um facto, histórico, fulcral e charneira tanto teologicamente, dogmaticamente, como culturalmente.
Quando era miúdo celebrava-se como feriado nacional e chamava-se-lhe "Dia da Espiga". Era como uma festa rural. Mas o facto espiritual pouco se referenciava. Em Portugal.
Deixou de ser feriado.
Mas incompreensivelmente celebra-se como feriado a Ascensão de Maria ! Que nem bases históricas nem bíblicas tem. É uma mera tradição, apadrinhada pela igreja nos séculos posteriores.
Se não vejamos.
1. A Ascensão e a glorificação de Cristo culmina o EVANGELHO. Este, sem a Ascensão seria uma mera filosofia ética. A Cruz sem a Ascensão era uma gesto histórico exemplar e inspirador. Nada mais...
2. A Ascensão, no Monte das Oliveiras, quarenta dias depois da Ressurreição, dá sentido último e superior a esta. A RESSURREIÇÃO sem o facto histórico da Ascensão teria sido um milagre. Mais um. Até houve mais ressurreições... Lázaro, o filho da viúva de Naim, Dorcas, etc.
3. Mas a Ressurreição, seguida da Ascensão é a confirmação da divindade de Cristo, como Senhor ! Hebreus 1 : 1-13. Colossenses. 1 : 13-20. Filipenses 2 : 5-11.
4. Estava prevista nas Escrituras, Isaías 8 : 18. Jesus anunciou-a com frequência. É referida como facto nos Evangelhos de Marcos e de Lucas. Nos outros está na boca de Jesus.
5. Sem Ascensão não teria havido PENTECOSTES logicamente. Como é que Cristo teria enviado o seu Espírito se depois de ressucitado tivesse simplesmente desaparecido ?...
6. E daí que não teria havido a IGREJA DE CRISTO... ! Ou então teria talvez aparecido como um movimento religioso de memória e aplicação de uma espécie de "Moral de Jesus". Não teria sido a força revolucionária e transformadora que foi a Fé cristã em todo o mundo, nos séculos seguintes. Até hoje.
7. A Ascensão é a garantia, histórica, de que Jesus Cristo é, no Céu, o nosso INTERCESSOR e único MEDIADOR.
8. A Ascensão garante a sua SEGUNDA VINDA. Disseram os Anjos :
«...Porque estão aí de olhos postos no firmamento ? Jesus... um dia voltará como o viram partir !»