Não se ouve falar muito nas razões éticas que provocaram a crise financeira, e logo económica, que o mundo atravessa.
Achei muito certo que o Presidente da República de Portugal - ele próprio um economista - no seu discurso na Assembleia da República em 25 de abril último, tenha focado esse aspeto que está na génese da crise : a falta de honestidade no comércio financeiro entre os Bancos, o locupletar-se, a ambição cega, a corrupção de muitos banqueiros ao permitirem-se, entre outras coisas, transações de créditos, entre Bancos e com os privados, e em rede mundial, empréstimos sem garantias, sem rigor, sem honestidade.
O ser humano é por natureza ambicioso e corruptível. Não há nada de novo nisso...
A economia não é um sistema autónomo. Não pode agir independentemente de estruturas legais, jurídicas. E, claro, de princípios éticos básicos.
Se não, é a lei da selva. E foi mesmo !
Agora : Só os cristãos têm - é suposto terem - os recursos morais e espirituais necessários, e de forma coerente e consistente, para criar um clima e um terreno saudável para um desenvolvimento financeiro e económico sustentável e fiável. Poucas são as religiões que fazem apelo a Normas divinas parametrizadoras da vida humana. E das que o fazem o Cristianismo não tem paralelo, pela racionalidade, pelo projeto de Vida total que tramsmite e que propõe.
Sendo assim, onde vão os seres humanos buscar a ética ? O respeito mútuo ? O respeito pelo propriedade e os bens de cada um ?
Normas gerais, inatas no coração humano ...? Que ilusão !
Uma certa organização londrina pôs na Internet uma espécie de «certificado de desbaptismo» ( «certificate of debaptism» ) para ser descarregado ( downloaded ) por quem quiser, e para todo o cidadão inglês que pretenda demonstrar assim que se desliga e se descompromete da igreja, especificamente a Chrurch of England, anglicana, Ligação essa que o baptismo quando bébé é suposto implicar.
A tal organização inicialmente fez isso um pouco em sinal de desprezo ( «to mock» ) pela prática de baptizar crianças, que não têm consciência do significado desse rito religioso, «desprezo pelas superstições», ( sic ) desprezo por «crenças que esse baptismo incorpora», ( sic ) e também pelo «reaccionarismo da igreja de Inglaterra» ( sic ) perante as correntes actuais étnicas, políticas e sociológicas.
A notícia é dada pela Time, e tem a data de 14 de abril passado.
Esse tal certificado, com termos meio formais, e posto na net como uma provocação sem pretensões de rigor e seriedade acabou por ter uma adesão inesperada e ser descarregado por milhares de pessoas !
Agora até já o vendem em "pergaminho" por uns € 5,00.
E mais : a iniciativa está sendo copiada e adaptada por organizações ateístas na Itália, e na Argentina, pelo que se sabe - diz a notícia.
É claro que o clero anglicano responde que em termos formais tal iniciativa é irrelevante, apenas faz sentir-se melhor quem o copia. E não desbaptiza ninguém...
O próprio registo de baptismo não é mais do que isso mesmo, um registo que ninguém vai riscar e que não se anula.
Renunciar ao cristianismo - dizem os bispos anglicanos - é questão que tem a ver unicamente com o indivíduo e com Deus.
Tal como acontece entre nós - agora sou eu que o digo - seja como for esses baptismos rituais contam paras estatísticas... E é assim, por exemplo, que em Portugal se considera o número de cristãos católicos no seio da população.
De qualquer forma a adesão a essa provocação que terá começado por ser algo de divertido evidencia um impulso interior de contestação ao papel da igreja formal, como Instituição secular, e também ao cristianismo que absorveu a cultura do mundo de hoje.
Na verdade o baptismo religioso, de praxe, de um bébé também não passa disso : de um rito que não torna a criança em nada mais do que o que ela é mesmo : um bébé que um dia fará uma opção crucial na vida :
ou negligencia e esquece Deus,
ou reconhece, aceita, ouve Deus, e Cristo se torna seu Senhor e Salvador.
Eu tomei a minha decisão quando era adolescente.
Uma decisão para a eternidade.
Em Portugal comemoramos hoje, 25 de abril, o DIA DA LIBERDADE.
Naturalmente que é um Conceito e um Valor que sempre nos emociona, e toca no íntimo de cada uma.
No tempo anterior ao "25 de abril", da ditadura, a Henriette e eu tínhamos o nosso nome nos ficheiros da PIDE ( verificámo-lo pessoalmente quando esses ficheiros estiveram mais acessíveis, em Faro, logo após o 25 de abril ). Estávamos registados como protestantes e como sendo "não afectos à situação política do tempo"... Fui prejudicado profissionalmente, no início da minha carreira, após o meu Estágio em Lisboa, por causa disso.
Mas hoje, ao reflectir sobre esse conceito de Liberdade não posso impedir-me de pensar nele de uma forma mais específica.
A Liberdade é um Conceito profundamente evangélico, no sentido de próprio do Evangelho de Cristo, e do Cristianismo .
Um Dom de Deus ! Qeu criou o Ser humano à sua imagem e semelhança.
Mas não é qualquer "liberdade".
Certa vez Jesus Cristo entrou numa sinagoga, pegou no rolo das Escrituras e leu :
«( Deus )...enviou-me para proclamar libertação aos presos... para pôr em liberdade os oprimidos !» - disse Jesus Cristo ( Lucas 4 : 18 ).
«E conhecereis a Verdade. E a Verdade vos ltornará livres... Se o Filho de Deus vos libertar verdadeiramente sereis livres !" - disse também Cristo ( João 8 : 32, 36 ).
«...mas não usem da Liberdade como pretexto para perversão...» - escreveu o Apóstolo Pedro ( 1ª Carta, 2 : 16 ).
Hoje é o DIA Mundial do LIVRO
O Livro é uma riqueza patrimonial e cultural para a Humanidade de um valor incalculável.
Não desaparecerá num futuro a médio prazo.
Ou melhor... nunca !
Não vou deixar de registar aqui neste blog a minha convicção quanto ao LIVRO DOS LIVROS : A BÍBLIA
Leio assim em Isaías ( 30 : 8 ) :
«Vai, escreve isto numa tábua perante eles. E aponta-o num Livro.
Para que fique escrito para o Futuro.
Para sempre. Perpetuamente !»
Talvez a idolatria tivesse qualquer coisa - tinha mesmo - de emotivo, de extuberante, de espetácular, que os cativava.
Mas Deus pedia-lhes antes uma Fé racional, inteligente, disciplinada.
Desenvolvia-se assim com a idolatria uma espécie de cultura popular entre os israelitas.
Hoje passa-se, de certa forma, o mesmo.
A cultura popular atual, feita de imagens e de sensações imediatas, não é mais do que um narcótico, como lembra Colson ( «O Cristão na Cultura de Hoje»* ).
E hoje, não se mantém essa dicotomia da imagem e do texto ? Da "idolatria" da imagem face à disciplina da leitura ? Das emoções do imediato por um lado, e da reflexão espiritual que torna a Fé madura e consistente por outro ?
Nunca será demais incentivar a leitura, o gosto pela leitura, pela reflexão no seio da Família e na Escola.
E para os cristãos o perigo é o mesmo :
A emoção dos sentidos, a canção embaladora, o ritmo narcótico, a pregação acalentadora.
Versus : a Revelação sólida, segura e racional das Escrituras ( a Bíblia ), a reflexão madura e inteligente, o crescimento espiritual sustentado e empenhado, que honra Deus, que confia nas suas Promessas e que dá testemunho da Vida de Deus !
* Um livro que recomendo vivamente. Um "must", leitura obrigatória para qualquer líder cristão.