Tenho naturalmente muitas dúvidas e reticências face a esta tendência que se reconhece - que reconhecemos todos - ser geral, actual.
E agrada-me que os autores que escrevem sobre o assunto não escondam os riscos que ela implica.
E mais : Curiosamente, o Alian Touraine reconhece até, a meio do seu discurso pró-individualista, que Jesus Cristo, o Filho de Deus, confere uma força sem igual à afirmação do indivíduo e à sustentação de um projecto de vida próprio, mas de relação com Deus !
«Penser Autrement», pág 141, Fayard, 2007.
Só que não consigo ver - nem ler - como é que o autor AT concilia essa ligação com Deus e o individualismo como ele o concebe.
A relação com Deus implica Normas, coerentes, universais, únicas e sobretudo uma Vida de intenso relacionamento com o Próximo.
Todas as Normas ( Leis ) divinas se resumem em
«Amarás o Senhor teu Deus com toda a tua potencialidade.
E os outros como a ti mesmo» Marcos 12 : 28 a 34 e Lucas 10 : 29 a 37.
O dinamismo cristão é intrinsecamente voltado para os outros.
O individualismo à AT é motivação para concretização dos apetites, para liberdade com que se lhes dá seguimento, para as aberrações ! Desde que sejam a "realização de si próprios, dos seus direitos. Direitos que o indivíduo estabelece para si próprio no pleno uso da sua individualidade ! E que os outros têm de respeitar... !
O INDIVIDUALISMO como sujeito de si próprio.
É a corrente hegemónica do pensamento actual.
( Por vezes pergunto-me : não o terá sido de sempre ?... )
A Escola, diz Alain Touraine, tem de acabar com o ensino colectivizante, com normas igualitárias. Cada aluno deve ser ajudado a desenvolver o seu próprio projecto, e a ser ele mesmo.
Em certa medida isto já não é novo. A mim próprio, como Professor, me encheram a cabeça com o Carl Rogers que vai também nesse sentido. Nós próprios aplicámos, quanto pudemos, essa filosofia nos trabalho nas Turmas.
O certo é que o Carl Rogers, por algumas razões, perdeu o prestígio com que arrancou há uns 20 anos.
Mas os "individualistas" ( no sentido sociológico que referi ) têm alguma percepção dos riscos :
A face negativa do individualismo é a solidão, reconhecem.
É ruptura com aquilo donde vimos e que está na génese do que somos...
É a falta de projectos consequentes, coerentes e estáveis.
Daí o consumo da droga ( vinho incluído ), o apetite instintivo do sexo e a promiscuidade nesse domínio. Sobretudo entre adolescentes. A apetência por o consumo de droga ( vinho incluído ) o apetite instintivo do sexo, a apetência por o que é fuga, evasão. Pelo que inebria. Pelo que ilude. É só pensar na música ouvida com altíssimos decibéis, inclusive ).
Daí, acrescento eu, os absurdos contranatura. Como o de pretender integrar como Norma social aberrações e anomalias, tal a prática, a vivência, do homossexualismo. E, quem sabe, dentro em pouco a pedofilia, que já os antigos "pedagogos" gregos vivenciavam sem, ao que parece, se achar mal !
Comprei, na Férin, em Lisboa, no Chiado, r. Nova do Almada ( encontro por vezes lá títulos interessantes em francês ) um livro do sociólogo Alain Touraine ( AT ), "Penser Autrement".
Mas não contava deparar com tanto radicalismo. AT diz que o pensamento contemporâneo é o do Humanismo e aconselha a acompanharmos as novas formas de pensar o Ser humano : as nossas condutas afirma - já não são segundo "grandes princípios", segundo uma moral "natural" ditada pela vontade divina ou por tradições de grupos e instituições ( Igreja, etc ).
O sentido da Vida humana - diz ele - só pode vir da definição que esses seres humanos dão de si próprios, e do respeito pelos direitos de cada indivíduo, o direito à liberdade em todos os domínios da sua vida pessoal e colectiva, integrado ou não em mminorias que ajudam a essa definição da sua existência. Ser ele mesmo o sujeito criador dos seus direitos,
É - digo eu agora - a emancipação, o "individualismo" total.
Já me referi a isto em post anterior.
É viver sem suporte de Valores, de Normas parametrizantes.
E é na verdade o sentido daquilo que vemos e observamos à nossa volta : "cada qual, por si mesmo".
Sem um Deus a dizer : «Este é o caminho. Anda nele» ! Isaías 30 : 21.
"Não. Eu não vou por aí", diria o José Régio.
E repetimos nós, embora não no sentido em que ele o dizia...
No Jornal diário "O Público" saiu há dias um texto do jornalista A. Marujo sobre "O Paraíso", com algumas reflexões sobre o que os cristãos chamam o Céu, a Presença de Deus após a morte.
Para isso, o Jornalista consultou algumas figuras supostamente com preparação teológica. Dois teólogos católicos e um Pastor protestante.
Foram francamente pobres as ideias apresentadas. Talvez não tanto por culpa dos consultados. O autor do texto terá exposto, dos pensamentos recolhidos, aqueles que lhe pareceram - talvez - que encontrariam algum eco nos leitores.
Entretanto foi escrevendo, com referência ao Paraíso divino, sobre "banquete", de "delícias" e outras coisas como um mundo onde os crentes não precisam de remédios e não têm medo de nada.
Quase como o "paraíso" de deleites, da satisfação dos sentidos e de erotismo dos muçulmanos.
Mas estou certo de que na cabeça de muita gente é bem nesse sentido que laboram as mentes quando se fala em "Paraíso além da morte".
Que indigência !
Que dificuldade em se desprender do "pó da terra"...
O texto termina, e mito bem, com a transcrição de uns parágrafos do livro do Apocalipse, da Bíblia, dos capítulos 21 e 22, "Novos Céus e Nova Terra".
Será assim tão difícil conceber a Presença de Deus, para os cristãos, depois da morte, como uma Nova Existência ? Como uma Nova Ordem de Vida ?
«Novo Céu. Nova Terra. Os primeiros já passaram (...) Eis que faço novas todas as coisas (...) Nele...só os que estão no livro da Vida do Cordeiro de Deus(...)» Apoc. 21 e 22.
Não basta ? A gente gostava de saber mais... ?
Jesus, a Nicodemus disse : «Se alguém não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus» João 3 : 3.
João 3 : 16 diz assim :
«Deus amou o mundo de tal maneira
que deu o seu Filho unigénito
para que todo aquele que nele crê não pereça
mas tenha a Vida eterna» !