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PRAZER
Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
O Parlamento dos Jovens
É uma iniciativa a todos os títulos meritória e louvável !
Interessar os jovens pela discussão e debate democrático de assuntos que lhes digam respeito e lhes interessem de imediato ou num futuro próximo. Nomeadamente o mercado de trabalho. E isso em lugares próprios - que é o caso do Parlamento dos Jovens - que dêem contexto de seriedade, de credibilidade e de dignidade a esses debates.
E isso sob a tutela de Instituições oficiais, ME, Secretaria de estado da Juventude e Desportos, Instituto da Juventude, etc., como é o caso do referido Parlamento dos jovens, em Portugal.
E com Conclusões e Propostas que sejam devidamente aceites, para consideração e aprovação final por parte da Assembleia da República, do Ministério da Educação e outros a quem digam respeito.
Na web pode procurar saber-se mais chamando por "Parlamento de Jovens".
Assisti, um pouco por acaso, a mais um debate parlamentar dos jovens e gostei. Gostei da aceitação dos regulamentos por parte dos jovens deputados. Gostei do seu comportamento, genericamente falando. Gostei a apresentação sóbria de cada um deles. Os rapazes, a maioria deles, de gravata... Etc.
Mas não pude deixar de ficar chocado com um certo artificialismo de comportamento. Por exemplo : Os jovens tratarem-se por "senhores deputados". Se isso é imposto de cima, é paternalístico e inadequado. Teria gostado muito mais de vê-los tratarem-se por "tu", ou mesmo de outra maneira, mas sem essa tratamento mimético, a fingirem-se "gente grande"... Não me teria importado de os ver vestidos mais adequadamente à sua idade... Etc.
São detalhes. Mas que me parecem significativos.
Agora : A temática debatida - pareceu-me, no caso da Sessão a que assisti, que sendo imposta de cima, como é efectivamente, poderia alargar-se a outros assuntos.
Será possível ?
Não estou especialmente preocupado com os cuidados do Presidente da República quanto ao afastamento dos jovens da Política.
Preocupa-me mais o saber por que não tratam os jovens - para além da questão de empregos, mercado de trabalho, integração na União Europeia e temas conectos que sem dúvida lhes devem interessar - outros temas que pesam estrondosamente na forma como moldam a sua formação, a sua educação, o seu futuro, não forçosamente socioeconómicos mas éticos, familiares, e de áreas afins.
Por exemplo, gostaria de ver os jovens, no seu Parlamento, discutirem a questão de Autoridade e Disciplina ! Na Escola, na Família, na Sociedade.
Gostaria de ver os jovens debaterem entre si o papel e o valor - e como é que eles vêem - a própria Escola ! E também a Família !
Gostaria de ver os jovens discutirem e debaterem entre si, no seu Parlamento, a questão das novas tecnologias de Informação que estão carreando aspectos deletérios e corrosivos no entender de muitos ( e qual será a opinião deles ? ), seja a Internet, seja o uso dos portáteis celulares ( os telemóveis ), por exemplo, para nomear apenas dois.
Sobre este último, os portáteis, direi um pouco mais, proximamente.
Domingo, 27 de Abril de 2008
O império da Força
Dou-me conta ultimamente - será uma impressão pessoal limitada à visão própria que tenho, do mundo que me contextua ? - da prevalência, com certa recorrência a que não estávamos habitruados na nossa Sociedade, do uso Força na afirmação daquilo que se pretende, daquilo que se pensa.
Não será mesmo um sinal de decadência civilizacional ?
São recorrentes as situações. Desde uma criança que dá um pontapé a uma Professora, numa Escola do Básico 2,3 nos arredores de Lisboa, ao indivíduo que ajusta contas junto de familiares, com uma caçadeira nas mãos.
Alguém me contava recentemente do caso de uma Professora, também do Básico 2,3 que, perante o insulto, obsceno, de um aluno, lhe descarregou duas boas bofetadas.
Mas não pode. Não devia tê-lo feito. É o uso da Força para fazer prevalecer - e convencer de - a Justiça, o Direito, a Autoridade.
Essa Professora devia ter-se imposto de outras formas. Pela persuasão, seria uma.
O que é justo é que impere a força da Razão.
Usar a Força, a Violência para impor a Razão é uma expressão de barbarismo instintivo, animal. Mas não é com certeza a expressão mais íntegra, mais completa da dignidade humana.
Como crente, como cristão, creio que Deus fez o Ser humano à sua "imagem e semelhança". E a força da Razão é uma das componentes dessa "semelhança".
Toda a história bíblica é o primado dessa Potência :
«Crê em Deus. Segue o meu Caminho. E viverás» ! - É a voz do apelo divino que ecoa pelos séculos !
Se Deus tivesse querido, forçava-nos a reconhecer tudo o que Ele é. Mas fomos criados assim mesmo, com a faculdade de livre escolha, pela Razão.
E sendo assim quanto mais válida não será uma deliberação livre da nossa parte !
E esse Valor básico tem de ter o seu exercício perfeito, sem transigência, na Vida humana. No exercício da Autoridade, seja em que área for.
Na dúvida, debato. Discorro.
Mas o primado nas relações «entre mim e o outro» só pode ser este :
O outro tem razão ?
Ponto final.
Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
O 25 de abril para mim
A 25 de abril de '74 apanhou-me em idade madura mas...
...ingénuo. Sem defesas perante os declives ideológicos.
Inocente. ( < noscere = saber, conhecer; não < de nocere = fazer mal ). Sem qualquer preparação política !
E cândido. Atraído pelas ideias, fulgurantes, de equidade, de solidariedade, de igualitarismo, etc.
A ainda por cima, sem ideias muito feitas quanto ao que o testemunho cirstão poderia vir a ser - ou de que poderia beneficiar - num regime democrático.
Aliás toda a igreja cristã estava impreparada para viver nos avanços que lhe proporciou a liberdade democática.
Depois, foram anos de aprendizagem e de amadurecimento ideológico.
Mas que nunca teriam sido possíveis num regime fechado, impositivo, monolítico, como o do Estado Novo.
Por isso vejo, continuo a ver, o "25 de abril" com satisfação. Como uma porta que permitiu um regime democrático - após as convulsões do «prec» - e a entrada em tropel de muita coisa nova.
Mas deixando sair.
Passar adiante !
«(...)Vocês foram chamados por Deus para viverem na Liberdade. Não deixem que essa Liberdade seja pretexto para que a vossa natureza corrompida vos leve à prática daquilo que é mal. Antes pelo contrário que ela vos incite a trabalhar, por amor, a favor dos outros». (
Gálatas 5 : 13. Versão O LIVRO ).
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
CULTURA, de novo
A ideia está enraizada :
A Cultura, a cultura individual, é saber coisas, em várias áreas. Quanto mais abrangentes melhor.
Mas não é.
isso pode ser "Saber", saber enciclopédico. O que não é despiciendo ! Depende da memória. E do interesse, de um espírito aberto, curioso.Cultura, no plano do individuo, é a competência para analisar e para julgar adequadamente. Com dados que a experiência, a Educação, a Instrução, vai deixando acumular. Primeiro na Família. ( Ah ! O papel da Família !... )Depois na Escola. Depois, pela vida fora, na "escola paralela"...Depois pela Leitura. Pelos Livros. Por estar atento, curioso, e crítico.E auto-crítico ! Emendando-se, refazendo...Ajuda muito a memória ( mas é apenas um meio... ); e também a inteligência, que deixa conectar, associar, deduzir.Pode saber-se muito. Mas não ter Cultura.Cultura também não se reduz ao que chamamos a "experiência da vida", que os anos transmitem. É mais do que isso.
«Cultura é o que fica depois de esquecer o que se aprendeu», lembrou-me a minha Mulher; que já o Professor J. do Prado Coelho nos recordava na Universidade !
Topei com este pensamento :«Uma pessoa não é culta. Cultiva-se»
(Disse-o um francês, Marechal Foch )É um processo. E é constante !
Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
CARTA A DIOGNETO
Era uma sexta-feira.
No mercado de peixe de Constantinopla havia barulho, pregões, sujeira e muita gente.
Tomáz de Arezo, um rapaz italiano a estudar grego na cidade, escolheu o seu peixe, ajustou o preço. O vendedor embrulhou-o, recebeu o dinheiro, e Tomás regressou a casa.
Preparou-se para lavar o peixe e, curioso como todo o bom estudante deve ser, deu uma olhadela para o papel do embrulho. Coisa que todos fazemos frequentemente.
Era uma folha escrita em grego, com traços grossos, com iniciais em vermelho. Foi lendo e esqueceu-se da refeição e do peixe. Porque se deu conta de que se tratava de algo muito antigo e com muito interesse.
Correu de novo ao mercado, pelas ruelas mal empedradas daquela parte da cidade e por mais umas poucas moedas o vendedor do peixe cedeu-lhe as folhas todas que tinha iguais àquela. ( E quantas já não se teriam perdido... ! ). Mas estavam bem conservadas.
Isto passou-se em 1436.
O jovem Tomás verificou então tratar-se de vários documentos com séculos de antiguidade, entre os quais a CARTA A DIOGNETO, do II século da era cristã, dos primeiros tempos da Igreja. Uma carta dirigida por não se sabe bem quem a um grego não-cristão falando-lhe da Fé cristã.
Ainda o canon bíblico não estava completo e organizado !
Mas a Igreja - é de assinalar - por muito interessante e doutrinariamente fiel que seja o texto desta Carta, não entendeu adoptá-lo como inspirado e valendo como Palavra de Deus.
Mais tarde essas preciosidades vieram parar às mãos de antiquários e hoje temos um texto ( tal como outros ) que se lê bem, ( não é longo ) e que não fazendo parte das Escrituras não se desvia do ensino dos Apóstolos e que é espiritualmente estimulante.
Está publicado pelas Edições ALCALÁ, de Lisboa.
Vou pôr aqui uma pequena transcrição de partes do cap V dessa "Carta a Diogneto".
Tem muitos ecos das Cartas do Novo testamento :
Os cristãos
(...) Habitam pátrias próprias mas como peregrinos,
participam de tudo como cidadãos,
mas tudo sofrem como estrangeiros.
Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria
e toda a pátria, uma terra estrangeira.
Moram na Terra e são regidos pelo Céu.
Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis através das próprias vidas.
Amam todos e por todos são perseguidos.
São condenados à morte e ganham a Vida.
São pobres mas enriquecem muita gente.
De tudo carecem mas abundam em tudo.
Insultados bendizem.
Fazendo o bem são punidos como maus,
fustigados, alegram-se...
São hostilizados pelos Judeus como sendo estrangeiros;
e são perseguidos pelo Gregos.
E os que os odeiam não sabem explicar a causa desse ódio.
(...)
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