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PRAZER
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Tolerância
É uma ideia muito «pós-moderna». Está na berra. É politicamente correcta. Cheira bem, cheira a «direitos humanos» !
É na verdade uma das marcas da cultura ocidental. Tem profundas raízes no Cristianismo.
É intolerável a intolerância perante os que erram por desconhecimento. Ou para com os que defendem, com convicção, as suas preferências, ainda que a leste e a léguas das "minhas". Ou para com os que são o que são e não podem ser de outra maneira...
É contudo uma ideia nebulosa, cinzenta, essa da tolerância...
Tolerante ? Vamos devagar :
Para com o erro deliberado ?
Para com a ignorância por inércia ou por preguiça mental ?
Para com opções de maldade ? De agressão aos direitos e à liberdade - de pensamento e de vida - dos outros ?
Tolerância perante a violação dos fundamentos da Democracia ?
Tolerante para com a violação de Normas de Deus ?
"Por aí não vou", diria o José Régio...
A liberdade de expressão das opções ideológicas e de credo é um direito inalienável.
Não posso ser tolerante para quem a viola e cerceia.
Há ideias que expressam maldade, perversidade. Que são maléficas. Corruptoras. Que traduzem sinistros e inconfessáveis objectivos !
Se não posso - porque não posso nem devo - usar de meios coercivos, físicos e violentos, nem de desprezo - para as fazer calar, não posso no entanto impedir-me de "intolerantemente" as combater por outros meios, a começar pela persuasão. E pelo meu posicionamento. Firme. De oposição frontal .
Na área da Fé, e da Religião, por exemplo, ao afirmar aquilo que creio ser a Verdade - nomeadamente Cristo e a minha Fé cristã - não me sinto como que coagido, por espírito de tolerância, a reconhecer que as outras religiões todas, Islamismo, Budismo, etc , sejam também "verdade" ! Respeito a expressão das suas convicções. Respeito o seu posicionamento. É o meu dever. Mas não renuncio ao apelo, à afirmação apelativa, de toda a Verdade de Deus em Cristo Jesus ! ( Já falei nisto referindo-me a "proselitismo" ).
Tolerância ?
Com certeza. Um Valor inultrapassável !
Mas sem cegueira. Sem flacidez moral.
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
O meu blog
À medida que vou escrevendo no meu blog vou reflectindo... ( Estou a repetir-me ).
Visto que não faço apelos ou convites insistentes para que me leiam, como vejo outros fazer, não recebo muita retroacção ( feed-back ) que me pressione a reflectir mais num sentido do que noutro.
Não vejo mal nenhum em que outros se esforcem por tornar conhecido o seu, ou os seus blogs. Pretendem que outros saibam o que pensam. Estão convictos de que dizem coisas sérias. Pode ser estimulante...
Quanto a mim tenho recebido observações e comentários, que agradeço, que me chegam por outras vias. Mas comecei por dizer que «escrevia por gosto».
Claro - e tal como já disse - poderá ser-me perguntado : Então porque não pegas num papel, escreves e arrumas numa pasta ?
É verdade : Se abri um blog é para que as minhas reflexões pessoais sejam "publicadas". Com certeza. ( Também já disse isto em tempos... )
Até acontece que, por acaso, durante o processo de abertura do blog, acabei por abrir e ficar com outro, no Google . E deixei assim. Ainda pensei repartir os assuntos, entre um e outro, conforme as temáticas. Mas dava-me algum trabalho... Em geral transcrevo o que ponho num para o outro.
Ponho o endereço do blog junto à minha assinatura de e-mail. Quem quiser pode lê-lo.
Mas : Porque não explicitar o convite à leitura ?... Talvez venha a fazê-lo ...
As ideias que expresso testemunham da minha educação e formação, da minha experiência humana, das minhas convicções e da minha Fé cristã, dos meus alvos. E tudo isto caldeado na minha - na nossa - vida conjugal e familiar.
Pensar que isso não serve para ninguém... É modéstia a mais !
Todos somos um mundo de vivências. E todas elas feitas de enredamento interactivo mútuo.
É pretensioso - e vazio de sentido - julgar-se único. Também o é julgar-se sem qualquer projecção...
Não há seres humanos sós. Há seres humanos "juntos". Eu sou o que sou, defino-me, nunca isolado mas junto "ao outro".
Mesmo na responsabilidade e resposta a Deus, que tem de ser sempre pessoal - é esse o apelo evangélico de Deus - quanto não há de social acumulado, de património conjunto... !
Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
As Mulheres e o Cristianismo
O Cristianismo deu à Mulher um relevo, em termos espirituais e morais, direitos sociais e uma dignidade que ela não tinha.
Foi considerada uma Pessoa entre todos e todas, em igualdade perante Deus. E perante a Lei. E perante tudo o que a vida comporta. Sem excepções para ela.
Com lutas difícieis. E muito por fazer ainda em todo o mundo. Mas chegou-se lá.
Levou séculos para que isso se transferisse em ordenamento jurídico. Mas os Valores e a Fé cristã estão na origem, de uma forma ou doutra, e foram a sua inspiração.
Foram Mulheres que deram apoio material, substancial, ao ministério de Jesus.
Foram Mulheres as protagonistas de momentos assinaláveis nos Evangelhos : a samaritana, por exemplo, denunciada e acusada pelos fariseus, os quais se foram afastando a começar pelos mais velhos depois de Jesus ter chamado à ordem a sua consciência !
Foram mulheres através de cujas vidas nos foram dadas lições de enorme riqueza, como no caso de Marta e Maria em que esta soube escolher, no momento exacto a exacta atitude de aprendizagem, de audição e de recepção perante Jesus.
Foram Mulheres que assistiram a momentos de profunda humanidade do Senhor Jesus, como quando Jesus se comoveu fortemente e chorou perante o túmulo de Lázaro.
Foram Mulheres as testemunhas fiéis, ousadas, e quão doridas, perante a Cruz.
Foi uma Mulher a primeira testemunha da Ressurreição.
Foram Mulheres as primeiras a dar a notícia de Cristo vivo aos outros Apóstolos !
Mulheres houve que abrigaram igrejas locais em seus lares, talvez com quantos riscos...
Que foram pregadoras e profetizas e que «muito trabalharam no Senhor», ( Romanos 16 : 12 ). Que foram como "mães" para os apóstolos ( Romanos 16 : 13 ).
Mulheres houve, tal como Dorcas , que ficaram assinaladas nas Escrituras - e na História do Cristianismo - pelo seu notável trabalho social.
Maria foi um caso excepcional. Ela não teve opção. Ele teve o privilégio e graça imensa de ter sido a escolhida por Deus para ser a receptora da incarnação de Jesus Cristo.
Sábado, 23 de Fevereiro de 2008
O Conselho da Europa e o Criacionismo
Texto da Resolução 1580, adoptada em 4 de Outubro de 2007 ( Doc . 11375 ) pela Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa ( Não confundir com a União Europeia... ) :
«O criacionismo ( negação da evolução das espécies ) ameaça os valores que são a essência mesma do Conselho da Europa e a Assembleia alerta contra os actos dos partidários dessa teoria que pretendem que as suas ideias fazer com que as suas ideias figurem nos programas de ensino científico. Se a Assembleia admite que as teses criacionistas , como qualquer abordagem teológica, possam eventualmente, no respeito pela liberdade de expressão e de crenças de cada um, ser expostas no quadro de uma aprendizagem que se queira reforçada pelos factos culturais e religiosos, no entanto opõe-se - a Assembleia - a que essas referidas abordagens teológicas sejam apresentadas no quadro geral do ensino.»
( O sublinhado é meu ).
Notícia transcrita do "Boletim de Informação sobre os Direitos do Homem", nº 72, Julho - Outubro 2007.
Já comentámos esta tomada de posição da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.
Como é possível que um Órgão deste nível e com as responsabilidades que tem expresse esta visão combativa, para além de estreita, redutora e revelando ignorância ?!
Sem mais comentários fico apenas a pensar como é que se pode ignorar que o Criacionismo não é uma simples teoria teológica. É uma hipótese, tal como o é também o Evolucionismo, cientificamente apoiada, com um vasto leque de cientistas a subscrevê-la !
O Criacionismo tem uma vertente bíblica, com a sua fundamentação racional e científica. Mas não se confunde com a sua versão deísta .
O trabalho do Doutor Jónatas Machado da Universidade de Coimbra, e o recente livro do também Professor Adauto Lourenço, "Como Tudo Começou - Uma Introdução ao Criacionismo", ( do Brasil ) são duas Obras recentes muitíssimo ilucidativas.
Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
O Padre António Vieira e Direitos Humanos
( Devido a um clique inadvertido destruí este texto, que era de ontem. Aqui vai de novo, igualzinho ).
(Comemoram-se esta mês de Fevereiro os 400 anos do nascimento deste Homem notável da nossa Cultura nacional. Nasceu em 6 de Fevereiro de 1608.
Foi um notável defensor dos direitos Humanos muito, mesmo mesmo muito antes da Revolução Francesa !
Foi um lutador incansável pelos direitos dos judeus ! E também dos cristãos-novos segregados em relação aos cristãos-velhos, tradicionais. Lutou pelos direitos dos índios, por muitos considerados como seres sub-humanos.
Foi um veemente abolicionista. Combateu denodadamente a escravatura !
Um homem moderno !
E com isso tudo usando uma oratória poderosa e um português burilado.
E influenciou muita gente ! Pressionando para a a mudança de comportamentos. Até os reis !
Foi um tempo em que "trabalhar era para o escravo" ! Literalmente. Trabalhar era uma expressão de dependência e de inferioridade. O que representou um atraso imenso no nosso desenvolvimento económico e social. nesses tempos as burguesias , das repúblicas italianas e do norte da Europa enriqueciam e tornavam-se poderosas.
A Reforma, com os seus Valores dignificando o trabalho e os ganhos justos teve um papel reconhecido por todos os historiadores.
Fica aqui um pequeno texto do Sermão da Quaresma, de 1653 :
«Este povo... já não se pode sustentar sem os Índios. Quem nos há-de ir buscar um pote de água ou um feixe de lenha ? Quem nos há-de fazer duas covas de mandioca ? Hão-de ir nossas mulheres ? Hão-de ir nossos filhos ?...Digo que sim, e torno a dizer que sim. Que vós, que vossas mulheres, que vossos filhos e que todos nós nos sustentássemos do suor próprio. E não do sangue alheio. Ah, fazendas do Maranhão, que se esses mantos e essas capas se torcessem haviam de lançar sangue !(...) Direis que os vossos, chamados, escravos são os vossos pés e mãos. E também podeis dizer que os amais muito porque os criastes como filhos e porque criaram os vossos... ( Então ) que os lancemos de nós ( = os libertemos ) ainda que nos doa... »
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