No Domingo 28 de Outubro publiquei um post sobre este mesmo tema, com este titulo, e disse lá que me parecia que legislação proibitiva, em Portugal, estaria subjacente ao facto de não se ver - de eu não ver - crianças brincando com armas "de fingir".
Enganei-me !
Fiz - tardiamente é certo, pois deveria tê-lo feito antes de escrever o post - uma pesquisa. E não há, com efeito, qualquer legislação no sentido de proibir venda de brinquedos imitando armas ! Estava convencido que sim...
É deplorável essa lacuna legislativa !
Pelo que consegui apurar é assunto que "está em cima da mesa", aliás tanto em Portugal como na União Europeia, há já uns anos. E não consegue avançar...
Porquê ? Não é evidente que permitir crianças divertirem-se com brinquedos imitando armas de fogo ou outras, fingindo que matam, é algo de antipedagógico ? Mais, de imoral, de "obsceno" ?
E está-se à espera de quê ? O que impede que legislação nesse sentido seja emitida ? Foças económicas ?
Até o facto de ter de se emitir legislação desse conteúdo é absurdo ! Nem deveria ser preciso legislar coisa nenhuma com esse fim ! É afrontoso pensar-se que crianças podem ser deixadas - e que Pais possam permitir que seus filhos fiquem - entregues a diversões desse teor.
E tanto conversa pacifista que ouvimos por aí...
Faz-se barulho, com razão claro, com temáticas de pedofilia, com crianças entregues ou não a pai biológico e retiradas aos "pais" afectivos, e por aí fora, ( calando-se, por exemplo, como constatamos todos, a promiscuidade sexual dentro e fora das Escolas... ) e sobre um assunto destes o silêncio é ensurdecedor...
Penso que entretanto não deveríamos calar a nossa perplexidade e o nosso protesto perante o silêncio, ou a apatia, ou a inépcia oficial, por todas as vias possíveis.
E nem é só a questão dos brinquedos reproduzindo armas mortíferas. É a magna questão dos jogos de video brutalmente violentos que atraem, horas e horas durante o dias, frente às suas consolas, alegremente oferecidas pelos Pais e Avós, milhares de crianças e de adolescentes.
Somos sócios da DECO. Há muitos anos. Vejo a DECO meter-se em muita coisa. Com montes de razão ! Porque será que esta temática fica fora do âmbito das suas preocupações ?
Porque são questões morais e não de consumo ! Por favor, não se perca a noção das realidades. Nem se caia na hipocrisia rigorista... Toda a defesa do consumidos é questão de Ética.
E mais : não deveríamos deixar, na medida das nossas possibilidades, de pressionar Governo, Deputados, Pais, Professores, Escolas, Infantários, etc, além da opinião pública, no mesmo sentido : que se faça legislação ( tal como para o tabaco, por exemplo, e bem ), restringidora ou pelo menos disciplnadora da produção e venda de todo esse material de enorme efeito deformador e causticador das sensibilidades e das consciências das nossas crianças.
É o que nós temos estado a tentar fazer.